O CRÍTICO ESTÁ NO AR
Por que um clube? Você ainda pode me perguntar: por que agora, já que essa modinha passou?
A verdade é que, durante algum tempo, os clubes se espalharam com certo vírus chinês, e todo mundo tinha o seu: de vinhos, séries, livros que ninguém leu, mas finge que leu.
A verdade é que logo essa moda passou, porque um clube de leitura precisa de algo raro: leitores; no Brasil, às vezes tenho a impressão de que há mais candidatos a escritor do que leitores (as editoras que o digam…).
E o leitor mais astuto pode ir mais longe: por que um clube cujo nome alude a uma criatura à qual Flaubert atribuía a mais baixa atividade do espírito humano: o crítico?
Meus ouvintes mais antigos dirão que senti inveja do clube da Oprah (em minha defesa, aquela introdução a Faulkner realmente dava um pau na USP).
Minha resposta para essas perguntas é: por que não?
Após tantos depoimentos de alunos satisfeitos com O Leitor Crítico (muitos deles com os quais convivo até hoje em minha oficina), eu pensei: por que não expandir o projeto? Trabalhar mais, ler mais, gravar mais aulas?
Após meu ano em silêncio, longe da internet, a primeira coisa que me perguntaram, quando voltei, foi se eu iria disponibilizar o curso novamente. Neguei. Estava decidido a publicá-lo em livro. Ainda estou, mas o mundo editorial é lento e doloroso.
Após algumas semanas nas redes sociais, os pedidos foram tantos (inclusive de ex-alunos), que resolvi focar no que eles mais gostaram: as análises.
Passei alguns meses estudando novos formatos para aulas e cursos, elaborando uma metodologia que fosse divertida tanto para mim quanto para os leitores (sim, di-ver-são, essa palavra que soa como um pecado para os literatos).
Enquanto isso, deixei um formulário de lista de espera no meu site. Em pouco tempo, mais de 450 pessoas se inscreveram. Sem anúncios, sem marketing, só no velho boca a boca.

A verdade é que há muito barulho nos espaços públicos da internet, mas eu descobri que nos ambientes privados, onde ministro minhas aulas e cursos, consigo encontrar as pessoas mais interessadas e verdadeiramente apaixonadas por Literatura. Sem afetações afrescalhadas, gente que realmente ama os grandes livros.
É por isso que resolvi criar o Crítico. Um projeto que reúne quase tudo o que já fiz, por um custo muito acessível (você vai cair para trás quando vir).
Contudo, as vagas são limitadas e encerrarei as matrículas em uma semana. Por quê? Porque gosto de dar atenção pessoalmente aos alunos. E meu tempo é escasso.
E, muito além disso, o Crítico é um lugar seguro para aprender, livre de ideologias, e apreciar deleites refinados, fazendo amigos com os mesmos valores (ninguém aguenta mais as pessoas se odiando publicamente nas redes sociais).

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