O que esperar de “Mancha Maldita”: o vídeo de Hilton Boenos Aires

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Meu amigo Hilton Boenos Aires recebeu Mancha Maldita no meio da semana e, na sexta-feira, já tinha terminado o livro e gravado um vídeo sobre ele no seu canal, o Vida Interior. Não me avisou de nada: soube pelo próprio vídeo.

Hilton é doutor em Filosofia pela Pontificia Universidad Católica Argentina, autor de Quando os homens voltarão a viver com os deuses: a função do mito e da religião na obra de Nicolau Maquiavel (Appris, 2025) e estudioso de Gilberto Freyre e Câmara Cascudo. Dediquei o romance a Freyre, e foi como freyriano que Hilton o leu, o que me deu uma alegria especial:

A obra de Gilberto Freyre e de Darcy Ribeiro tem o que chamamos de literossociologia: uma sociologia, uma história, uma antropologia com valor literário, dada a beleza com que foi escrita. […] Mancha Maldita é uma literatura com muita qualidade sociológica. Sociologicamente, Paulo Cantarelli fez um trabalho muito acertado: com lentes sociológicas, identificam-se no romance padrões e estruturas. Para além do valor literário, atribuo a Mancha Maldita um valor sociológico muito marcante.

Hilton Boenos Aires, no canal Vida Interior

Um comentário de um intelectual qualificado vale mais que mil elogios, e Hilton me prestigiou com uma análise primorosa da matéria e da forma de Mancha Maldita. É precisamente esse tipo de abordagem a que me refiro quando digo que a literatura pode e deve ser usada para iniciar um questionamento em outros campos do saber, enriquecendo o debate e a vivência interior, mas sem nunca esquecer que a obra é, antes de tudo, um objeto de contemplação estética.

Hilton, que frequentou alguns dos meus cursos, conhece sobretudo o meu trabalho de crítico; do ficcionista, tinha lido Recifenses. Diz que o romance completou a imagem que ainda lhe faltava. Sou grato pela leitura, pela generosidade e pelo pedido com que encerra o vídeo: que eu não pare. Não vou, este é apenas o começo.

E, se você já leu o romance, peço um favor: deixe sua avaliação na Amazon e no Goodreads. Poucas linhas bastam; para um romance recém-lançado, cada avaliação ajuda outros leitores a encontrá-lo.