LISTA DE ESPERA

Mancha Maldita é o novo romance de Paulo Cantarelli: a última geração de uma família de senhores de engenho pernambucanos diante das escolhas que selarão seu destino, enquanto testemunha o desmoronamento de uma sociedade prestes a se extinguir. Deixe seu e-mail e receba o aviso assim que o livro estiver disponível.

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Sinopse

Em meio às crises econômicas e políticas dos meados da década de 80, uma família centenária de senhores de engenho pernambucanos enfrenta sua derradeira queda. Após anos de ausência, Rodrigo é obrigado a retornar às terras dos Bandeira de Mello, no Engenho Casa-Alta, ao receber a notícia de que seu pai fora acometido por uma misteriosa doença. O primogênito volta a pretexto de reatar laços familiares, rompidos desde que a mãe, Jezabel, se opôs a seu casamento com Helena, moça de origem pobre.

À medida que a saúde do patriarca, Coronel Aurélio, se deteriora, emergem mágoas de sangue, preconceitos, traições e crimes ocultos sob a aparência impávida do clã ancestral — e Rodrigo deverá escolher entre abandoná-lo ou viver sobre as ruínas de um passado morto.

Como pano de fundo para a decadência dos Bandeira de Mello, figuram a falência dos engenhos, a proliferação dos movimentos sindicais, a erosão monetária e a transferência do capital centenário para novas mãos, guiadas por um poder político corrupto.

Técnica Literária

Através de técnicas sofisticadas — a falsa terceira pessoa, o discurso indireto livre, cenários metafóricos, narrador imparcial que apenas relata —, Paulo Cantarelli imerge o leitor na psicologia das personagens sem intermediários. Na contramão do cenário nacional, o autor recusa solipsismos, identitarismos ou regionalismos, reafirmando a Literatura como forma artística pura.

A narrativa revela o sofrimento humano dotado de acabamento formal, sendo felicidade ou infelicidade consequências das escolhas morais das personagens, não de determinismos ideológicos. Sob influência dos grandes romancistas realistas ocidentais — Flaubert, Lampedusa, Graciliano Ramos, Kadaré —, Mancha Maldita impõe-se como testemunho da destruição de um mundo, e também como afirmação de verdades universais da condição humana.